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Projeto Sanear é prioridade, garante governo

O apoio às Reservas Extrativistas (RESEXs) na Amazônia tem mudado a vida das famílias atendidas pelos ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA). Os relatos são contundentes nas comunidades que contam com o tratamento da água e a construção de banheiros sanitários do Sanear Amazônia e com o apoio à agricultura familiar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Na quinta-feira, as famílias que vivem na Resex do Baixo Cajarí, no município de Mazagão, no estado do Amapá, comemoraram a notícia dada pessoalmente pelo secretário de Segurança Alimentar e Nutricional do MDSA, Caio Tibério Dorneles, de que o projeto Sanear terá continuidade, devendo beneficiar as 2,8 mil famílias que vivem nessa região.

“O ministro Osmar Terra já garantiu que o atendimento aos extrativistas continuará sendo uma das prioridades de sua gestão”, anunciou Caio Dorneles. O MDSA, segundo o secretário, quer “ampliar e qualificar o programa” e, para isso, está ouvindo as comunidades atendidas, que inclui reservas de quatro estados da Amazônia.

Economia florestal – A secretária de Extrativismo do MMA, Juliana Simões, afirmou que a qualidade de vida dos extrativistas que são atendidos por programas como o Sanear e o PAA melhorou muito nos últimos anos. “Jovens que queriam estudar fora e encontrar emprego nas cidades vivenciam uma fase de autoestima e querem, agora, ajudar no desenvolvimento da Resex”, afirma Juliana. Os dois secretários foram recebidos pelo presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros, Joaquim Correa Souza.

A secretária do MMA reforçou que a prioridade do ministro José Sarney à frente do MMA é induzir políticas públicas adequadas à realidade das reservas extrativistas, promovendo, assim, melhor qualidade de vida, o bem estar e o aumento da renda por meio do desenvolvimento de uma economia da floresta.

A presidente da Associação das Mulheres do Baixo Cajari, Elizângela Oliveira Santos, lembra que antes do PPA era comum assistir à noite a passagem pelo rio de toras de madeira retiradas ilegalmente da reserva, vendidas aos madeireiros pelos próprios moradores. “Agora isso não acontece mais. Os moradores preferem produzir porque têm garantia de compra dos produtos”.

Ela também ressaltou a importância do papel da Conab, lembrando que antes a produção era levada para as feiras e quase a metade estragava. “Comercializamos açaí, mamão, banana, abacaxi, legumes e outros produtos da floresta, que são muito perecíveis. Hoje, o que não é vendido é utilizado para complementar a alimentação em hospitais e escolas no município, gerando renda para os extrativistas”, explicou Elizângela.

A notícia de que o Sanear terá continuidade trouxe ânimo a todos. “Boa parte das famílias já construiu o banheiro sanitário e dispõe de água tratada e qualidade de vida. Agora será necessário atingir outras comunidades que ainda esperam pelo programa”, pediu a presidente da associação.

Parceria com a UnB – O Baixo Cajari, incluído no Sanear Amazônia, é conduzido por uma equipe coordenada pelo professor Ricardo Bernardes, da Universidade de Brasília. Apesar da abundância de água na região amazônica, a população de baixa renda não tem acesso à água potável. Como a regularidade da chuva lá é grande, os sistemas implantados pelo projeto permitem melhor aproveitamento da água pluvial, que reservada e tratada de forma adequada é própria para o consumo e outros usos domésticos. Além do especialista em engenharia ambiental, participam da equipe técnicos do Memorial Chico Mendes, supervisores das entidades executoras e representantes das comunidades extrativistas.

O projeto ficou em primeiro lugar no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária, concorrendo com outras 154 práticas certificadas pela premiação em seis categorias. Ao todo o projeto do MDSA está investindo R$ 35 milhões em tecnologias sociais nesta ação.

Além de ajudar a implantar o sistema, a equipe faz a análise periódica da qualidade da água e por meio de exames verifica a situação de saúde das famílias, que sempre conviveram com doenças causadas pela contaminação da água consumida, concentrando nas parasitoses intestinais e prevalência de diarréia como indicador de efeito.

As equipes também monitoram o grau de satisfação das comunidades e qualidade de vida. Os primeiros resultados coletados nos últimos meses já apontam para a melhoria do quadro de saúde nas Resex.

Quem visita a área do Baixo Cajari verifica o orgulho da comunidade em mostrar os banheiros grandes nas casas, as caixas-d’água, fossas modernas e os equipamentos usados para recolher a água da chuva. A ideia do bandeiro sanitário, de acordo com o professor, partiu das próprias mulheres. “Elas tomavam banho de roupa nos igarapés. Essa sensação, de tomar banho por completo, era rara,” disse.

O professor explica que apesar da abundância de água na região Amazônica, a população de baixa renda não tem acesso à água potável. Como a regularidade da chuva lá é grande, os sistemas implantados pelo projeto permitem melhor aproveitamento da água pluvial, que reservada e tratada de forma adequada é própria para o consumo e outros usos domésticos.

Chico Mendes – O líder seringueiro Chico Mendes, que foi assassinado em 1987, no Acre, inspira das novas gerações que vivem do extrativismo. “Com a grande repercussão de seu assassinato no Brasil e no exterior, foram criadas as Resex, por isso, não enfrentamos violência por aqui, embora os fazendeiros de soja estejam procurando cada vez mais o Amapá. Seguimos o sonho dele de produzir e defender a nossa terra”, afirma o presidente CNS, Joaquim Correa Souza que vive na Resex do baixo Cajari.

“Acredito que nos próximos 10 anos as Resex terão a sua importância reconhecida nos programas de governo voltados para a segurança alimentar”, prevê o presidente do CNS.

Ele e sua esposa, Dalva Miranda, do Conselho de Proteção dos Direitos da Mulher, afirmam que ainda há muito que fazer pelos extrativistas, mas chamam a atenção para a necessidade de prioridade para a educação e a urgência de um projeto de energia (solar).
Fonte: Ambiente Brasil

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