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Produtores enfrentam o desafio de dobrar a produção sem desmatar

A conquista do cerrado com a correção do solo e a criação de plantas adaptadas ao clima do Brasil, principalmente a soja, fez a explosão da agricultura brasileira para tornar o país um dos maiores produtores de carne e grãos do mundo.

Calcula-se em 30 milhões de hectares os pastos que precisam ser renovados só no cerrado. A área equivalente ao espaço hoje ocupado por toda a agricultura nacional. Recuperar essas terras seria como criar um novo Brasil agrícola ao lado do atual. Esse é um dos grandes objetivos da integração lavoura-pecuária-floresta.

Em cerca de três milhões de hectares já se usa o sistema de integração lavoura-pecuária no Brasil. Uma área difícil está sendo enfrentada agora: a recuperação de solos arenosos.

Em Paraguaçu Paulista, em São Paulo, 70% de toda área da região é formada por um solo de baixa fertilidade e com estrutura frágil, como dizem os técnicos. A falta tratamento adequado pode causar muito estrago na propriedade.

O estado de São Paulo tem nove milhões de hectares com pastagens degradadas. Quase a metade da área está na região Oeste, segundo o agrônomo Edmar Moro, do Grupo de Pesquisa Agropecuária do Oeste Paulista.

“O pecuarista é muito tradicional. Ele sempre explorou extensivamente a pastagem. Ele não olha para a pastagem como uma cultura. Ele só tira os nutrientes ano a ano, explorando com pecuária, e não repõe o que vai sendo levado embora do sistema através da carne”, diz Moro.

Mas, no meio dessa realidade, algumas propriedades chamando atenção por causa do vigor dos pastos depois que incorporaram o sistema lavoura-pecuária. A chave dessa mudança é a gestão, para produzir de forma intensa, o ano todo. Isso não depende nem de ser dono da terra. Há três anos, o agricultor Pedro Filippini arrendou 20 hectares em Paraguaçu Paulista para iniciar a integração. Hoje, ele já conta com cem hectares.

“Em uma área que antes eram produzidas 3,3 arrobas por hectare, hoje, no mesmo período, num ano, a gente produz 6,5 arrobas. Além disso, mais uma safra de soja com aproximadamente três mil quilos de grãos”, calcula o agrônomo.

O rodízio adotado na área respeita um determinado calendário. Em outubro, ocorre o plantio da soja. A colheita é feita em março do ano seguinte. Daí, o capim, entra em abril. Em junho, vem o gado, que permanece na área até setembro. Em outubro, o ciclo recomeça.

“Tem dinheiro para o agricultor financiar. Tem dinheiro para o pequeno produtor, médio produtor e grande produtor. Os juros oscilam entre 2,5% ao ano até 8% ao ano, dependendo do enquadramento do produtor”, diz Luiz Macedo, superintendente do Banco do Brasil em Presidente Prudente.

A Fazenda Campina, no município de Caiuá, já é bastante conhecida dos criadores de nelore por conta do avançado trabalho que faz com os animais sem chifre da raça, o chamado nelore mocho.

As pastagens do pecuarista Carlos Viacava, formadas há quase 30 anos, estão, aos poucos, sendo renovadas com a integração lavoura-pecuária. Anos passados, nessa época do ano, era tudo marrom. Aquela palha, o capim seco, sem comida para o gado. Agora, estamos cheios de pasto. É o progresso da integração”, diz.

Segundo o zootecnista da fazenda, Juliano Roberto da Silva, a estrutura dessas terras pode chegar a 95% de areia e apenas 5%. “Então, se plantar numa areia sem cobertura a planta morre degolada. Para tirar essa condição desfavorável para a planta tem que ter a palhada”, explica.

Depois de três anos intercalando lavoura e pecuária, o piquete da propriedade está pronto para mais uma etapa da integração. Ele ficará dois anos seguidos só com pasto.

O favorecimento ao meio ambiente é um ponto que anima os aplicadores da integração lavoura-pecuária. “O solo está vegetado o ano todo. Um solo vegetado é um solo que absorve carbono e não emite. Quem emite são os solos degradados. Outro detalhe também importante é que quando nós temos a árvores, a árvore de fato sequestra o carbono porque ela pega o carbono, tira do ar. Quando nós vamos para a indústria madeireira, nós estamos sequestrando definitivamente”, diz o agrônomo João K.

A integração lavoura-pecuária-floresta ganhou tamanha importância que foi criada uma Embrapa só para tratar do assunto. No, instalado em Sinop, no Mato Grosso, tem 72 hectares de pesquisas divididas em dez sistemas de produção. Os 25 pesquisadores trabalham em diversas áreas, mas o foco é o desenvolvimento da tecnologia da integração. Eles intensificam as pesquisas no campo e também nos laboratórios, alguns móveis.

Um trailer, por exemplo, é um equipamento usado para medir a emissão de gases que causam o efeito estufa. Ele abre e fecha automaticamente para capturar esses gases.

O eucalipto, que entra na integração lavoura-pecuária para render madeira, também contribui para o conforto animal e para o meio ambiente. O eucalipto é menos adensado no sistema para permitir a circulação do gado.

Outro aparelho foi instalado no pasto para medir a emissão de metano pelos animais, gás 32 vezes mais nocivo para o efeito estufa em relação ao gás carbônico. Sem contato com o pesquisador, o boi é atraído para o cocho com alimentação. Basta que ele permaneça na área por, no mínimo, dois minutos para fazer a medição.

Segundo a Embrapa, em uma pastagem de boa qualidade um boi produz 47 gramas de metano por quilo de animal vivo. Na pastagem degradada, a quantidade de gás metano sobe para 76 gramas.

O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, considera a integração lavoura–pecuária–floresta, muito mais do que uma simples tecnologia.

“O Brasil está aqui produzindo a próxima revolução da agropecuária. Quando a gente imagina um futuro em 2050, que o mundo terá que produzir uma quantidade muito maior de alimentos porque a população segue crescendo, não dá para fechar a conta sem uma revolução agrícola no cinturão tropical do globo e nós estamos construindo a base dessa revolução no brasil”, diz.

A integração lavoura-pecuária-floresta é um conceito mais próximo de quem faz agricultura e um pouco distante de quem só cria gado. Mesmo assim, essa tecnologia que inova no plantio e integra os setores do campo, está presente em todas as regiões do país. Para João K, já é hoje a fazenda do futuro do Brasil.

“Eu defino esse sistema como o mais perfeito de todos os sistemas. Ele é agronomicamente eficiente, socialmente justo, ambientalmente preservador e economicamente rentável. Esses atributos são os atributos necessários para um processo de produção agrícola, que não só privilegia o produtor, mas a sociedade e o ambiente de modo geral”, conclui João K.

Fonte: Ambiente Brasil

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