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MMA promove debate com polo gesseiro

O polo gesseiro da região do Araripe, em Pernambuco, é certamente o mais representativo no Brasil, sendo responsável por quase 80% do gesso produzido no País. Situado na parte oeste do estado, o Polo de Araripe inclui os municípios de Araripina, Bodocó, Exu, Ouricuri, Trindade e Ipubi. São gerados na região 13,9 mil empregos diretos e 69 mil indiretos.

Com números tão expressivos, o setor gesseiro da região vem contando com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), através do projeto “Eficiência Energética e Produção mais Limpa da Cadeira Produtiva do Gesso”, para dar um passo além na questão do manejo florestal sustentável para a produção de biomassa. E para debater os caminhos para essa sustentabilidade, assim como os avanços obtidos a partir do projeto, foi realizado um seminário na sexta-feira (20), em Araripina (PE).

Cerca de 60 pessoas participaram do seminário. Estiveram presentes representantes de comunidades e de indústrias gesseiras do estado, universitários, professores e pesquisadores da região, e representantes de órgãos ambientais municipais.

Para o diretor de Desenvolvimento Rural e Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, presente ao seminário “Caminhos para a Sustentabilidade da Caatinga e a Preservação do Patrimônio Florestal”, o evento foi extremamente significativo do ponto de vista do cumprimento dos processos globais que dialogam com as mudanças climáticas.

“Debatemos práticas de produção que estão de acordo com o que se espera de sustentabilidade e conservação do meio ambiente. O Acordo de Paris chamou a atenção para alguns pontos, entre eles, como trabalhar uma estratégia de produção de consumo sustentável. E como essa estratégia dialoga com a mudança do clima, com o desmatamento”, afirmou. “Nesse cenário, o semiárido se apresenta com um grande desafio, pois será a área mais impactada. Mas como trabalhar o desenvolvimento rural com iniciativas adaptadas? Esse é um dos questionamentos do seminário”, explicou.

O projeto - O projeto “Eficiência Energética e Produção mais Limpa da Cadeira Produtiva do Gesso” tem como objetivos ampliar a eficiência energética, a produção mais limpa e fortalecer a cadeia produtiva demonstrando aos empresários e à sociedade que é possível produzir de forma mais eficiente e sustentável.

Realizado em parceria com o Fundo Clima, Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), Fundo Socioambiental da CAIXA, e Ministério Público, o projeto é desenvolvido pela Fundação Araripe, com apoio do Parque Tecnológico da Paraíba e da Associação Plantas do Nordeste.

A intenção é incutir, junto às empresas que atuam no polo gesseiro do Araripe, a utilização de madeira limpa, legalizada, evitando, deste modo, que haja continuidade de desmatamento e da comercialização da madeira extraída ilegalmente.

Segundo Pierre Gervaiseau, secretário geral da Fundação Araripe, as iniciativas que vêm sendo desenvolvidas no projeto buscam uma mudança de comportamento para evitar o aquecimento global. “A convivência com o semiárido implica em um olhar diferenciado, da nossa parte, sobre o meio ambiente. O uso de tecnologias sociais voltadas à gestão e conservação é fundamental e deve ser complementar à gestão dos recursos naturais”, disse.

Resultados - O trabalho vem dando resultados. “Nossa matriz energética é a biomassa. Estudos desenvolvidos no âmbito do projeto revelaram que há dez anos eram utilizados 1,50 metro estéreo por tonelada de gesso produzida pelo polo. Atualmente esse número reduziu bastante, passando para 0,35 metro estéreo por tonelada”, detalha Emanuel Costa, representante da Secretaria de Meio Ambiente do município de Trindade (PE) e da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). Metro estéreo é a unidade de medida usada para determinar uma pilha de madeira com um metro de comprimento, um de largura e um de altura com espaços vazios entre as peças.

Segundo Emanuel, tal redução representa um avanço e é resultado das tecnologias e inovações que o setor gesseiro implantou, juntamente com a conscientização dos empresários do setor sobre o manejo florestal sustentável ocorrida a partir do projeto.

Atualmente o setor gesseiro de Araripe trabalha com três tipos de biomassas: nativas (árvores como a Jurema, Cascudo e Sabiá), frutíferas (podas de mangueiras, cajueiros, entre outras) e exóticas (Pinheiro e Algaroba). Sendo que nativas e frutíferas representam 20% cada e as exóticas 60%.

Pacto - No período da tarde houve um debate sobre o Pacto de Sustentabilidade do Polo Gesseiro de Araripe, uma ação promovida pelo projeto que envolve os agentes produtivos e órgãos de governo, traduzindo os esforços e compromissos para a sustentabilidade inclusiva do setor. O lançamento oficial está previsto ainda para este semestre.

O pacto é uma iniciativa para mobilizar as empresas a mudarem a forma de como obtêm lenha para suas atividades e responder a um conjunto de normas ambientais frente à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, passando assim a contar com um instrumento norteador do processo de transformação da realidade das áreas suscetíveis à desertificação, no âmbito das políticas de desenvolvimento sustentável, oferecendo uma abordagem inovadora ao desenvolvimento de governança.

Durante o seminário, Francisco Campelo ressaltou que a Caatinga é muito mais do que lenha e “não pode ser marginalizada por seu uso, uma realidade para a produção da região, mas que o que se busca é um manejo florestal feito com critérios de sustentabilidade”. Segundo ele, o intuito é transformar o que é um problema num aprendizado e numa solução a ser seguida por outras indústrias. “Essa é uma lição a ser deixada por este projeto. Por trás de um caminhão de lenha, ou biomassa florestal, pode sim ter todo um esforço de manejo florestal sustentável” defendeu ele.

Livro - Finalizando a agenda em Pernambuco, haverá nesta sexta-feira (20/05), em Juazeiro do Norte, uma noite de autógrafos do livro “Caminhos para a agricultura sustentável – Princípios conservacionistas para o pequeno produtor rural”, com os autores Geraldo Barreto e Osany Godoy. Chancelado pela vasta experiência de dois mestres no assunto, a publicação lançada pelo MMA em dezembro de 2015 preenche uma lacuna na literatura voltada para a agroecologia. Vai do uso da água, da preservação da cobertura vegetal à conservação e recuperação do solo numa edição ilustrada com uma linguagem acessível.

Fonte: Ambiente Brasil

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