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Grupos de pesquisa do país crescem 29% em quatro anos

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou os resultados do 10º Censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, uma espécie de inventário das equipes de pesquisadores em atividade no país. Com dados coletados em 2014, foram mapeados 35.424 grupos de pesquisa, 29% mais do que o registrado em 2010 e três vezes mais do que o resultado do Censo de 2000. O número de pesquisadores em atividade e seu nível de formação aumentaram. Dos 180 mil pesquisadores atuantes, 116 mil têm pelo menos nível de doutorado, ou 65% do total. Em 2010, o índice era de 63% e em 2000, de 57%.

Também se observou uma redução da concentração regional em relação a 2010. O Nordeste aumentou sua participação no total dos grupos de 18,3% para 20,4% entre 2010 e 2014, aproximando-se do Sul, estável na casa dos 22%. Em 2004, a participação do Nordeste era de 14,2%. O Sudeste, que tinha 46,8% dos grupos em 2010, hoje tem 43,8% do total.

Os indicadores em alta são atribuídos, em boa medida, ao programa de reestruturação e expansão das universidades federais, o Reuni, que ampliou o número de professores e de vagas nas instituições vinculadas ao Ministério da Educação (MEC), inclusive em regiões distantes dos principais centros de produção do conhecimento. “Surgiu um novo perfil da qualificação dos professores contratados em universidades federais. Muitos se formaram em programas de doutorado dinâmicos, com a perspectiva de seguir fazendo ciência, e formaram grupos de pesquisa em instituições que nem sempre tinham tradição nisso”, diz Elizabeth Balbachevsky, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (fflch-USP), pesquisadora da área de ciência e inovação.

Rogério Meneghini, coordenador científico da biblioteca SciELO Brasil, complementa: “Investiu-se muito dinheiro nas universidades federais para ampliar a oferta de vagas para estudantes e isso teve impacto também na pesquisa”. O crescimento dos grupos, ele observa, é uma notícia boa, mas não significa que isso resulte na produção de pesquisa de impacto. “O Brasil perdeu posições em rankings de qualidade da pesquisa, o que pode ser resultado do crescimento muito rápido de grupos de pesquisadores”, afirma.

Apesar da redução da concentração regional, vários indicadores destacam o desempenho de unidades da federação com mais tradição em pesquisa. São Paulo, por exemplo, tem 78,5% de seus pesquisadores com nível de doutorado. É o maior percentual entre as unidades da federação. A média brasileira é de 61%. Da mesma forma, entre os pesquisadores do estado de São Paulo, o número de artigos publicados em revistas internacionais chegou a 3,3 artigos por autor em 2010, enquanto a média no Brasil foi de 2,5 artigos por autor. No censo de 2002, foram registrados 2 artigos por autor em São Paulo e 1,4 no Brasil.

A participação feminina teve uma suave alta entre 2010 e 2014. Quarenta e seis por cento dos postos de liderança nos grupos são ocupados por mulheres, diante de 45% em 2010 e 42% em 2004. Já no número total de pesquisadores manteve-se a divisão de 50% para cada gênero observada em 2010. Também houve mudanças na participação das áreas do conhecimento no total dos grupos, com um crescimento mais expressivo em ciências humanas (de 19,5% para 20,9% do total entre 2010 e 2014), sociais aplicadas (de 12,6% para 13,7%) e linguística, letras e artes (de 6,6% para 6,9%).

Para Elizabeth Balbachevsky, a mudança nas grandes áreas pode ter vínculo com o avanço feminino. “O crescimento dos grupos foi mais significativo em áreas que atraem mais as mulheres, como ciências humanas e sociais aplicadas”, afirma. A pesquisadora destaca que, nessas áreas, vem se quebrando a tradição de fazer pesquisa de forma isolada, com um aumento da formação de grupos de pesquisa. “Tem se consolidado uma cultura de pesquisa coletiva em ciências humanas, incentivada por iniciativas como os projetos temáticos da FAPESP e programas que estimulam a formação de redes”, afirma.

Influência – A socióloga Fernanda Sobral, da Universidade de Brasília (UnB), aponta a influência de programas como o dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), mantidos pelo CNPq e pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa, na disseminação de novos grupos de pesquisa. “Cada um desses institutos forma redes com pesquisadores de várias instituições e regiões”, afirma. Ela considera o fenômeno responsável, ao menos em parte, pelo desempenho do Nordeste e o avanço das mulheres. “Ainda que os coordenadores dos INCTs sejam majoritariamente pesquisadores do sexo masculino sediados no Sul e no Sudeste, há participação de grupos de outras regiões ou liderados por mulheres”, afirma. “Mas a política de pós-graduação e programas como o Casadinho também ajudaram a reduzir a concentração da pesquisa”, diz, referindo-se a uma iniciativa do CNPq que conecta programas de pós-graduação consolidados com outros, mais jovens.

Quando são analisados os artigos publicados em revistas internacionais, algumas áreas se destacam. Nas ciências biológicas, o número de artigos publicados por ano por pesquisador com nível de doutor chega a 1,9. Também se distinguem as ciências da saúde (1,76 artigo por pesquisador/ano), ciências exatas e da Terra (1,49 artigo) e agrárias (1,22). Esse perfil é diferente do das ciências humanas (0,21 artigo por pesquisador/ano), ciências sociais aplicadas (0,24 artigo) e linguística, artes e letras (0,09), que, contudo, assumem os primeiros lugares quando a produção é medida por capítulos de livro (entre 0,68 e 0,77 capítulo por pesquisador/ano). “Há notável resiliência dessas áreas”, diz Balbachevsky. “Seus pesquisadores seguem publicando livros e capítulos de livros apesar de isso ter perdido valor em processos de avaliação.”

Fonte: Ambiente Brasil

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